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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Que Deus Abençoe esta Crise

imagem copiada net

O texto abaixo é do Dr. Jorge Carvajal, médico Colombiano criador da Sintergética uma forma de tratamento que engloba conceitos e princípios que regem a medicina clássica com as medicinas tradicionais e ancestrais, numa dança onde os opostos se tornam complementários e onde o físico e o espiritual confluem para um conceito de Saúde Integral.

Vamos ao texto:
 “ A contração pode ser uma bênção.
Temos caminhado pela Vida sem darmos conta que nos afastamos de nós mesmos.
Esta crise pode ser uma boa oportunidade para voltarmos ao que é essencial: nossa própria humanidade.

Nas últimas décadas assistimos a um crescimento artificial, assente na concorrência e na guerra, mas que neste momento se está a congelar, ou seja ocorre a contração que sempre sucede uma expansão.

Nas crises despertamos, nas emergências, emergimos.
 Se, não resistirmos à mudança podemos crescer de verdade.
E, se nós não oferecêssemos resistência à contração? Talvez assim a crise possa ser sinonimo de oportunidade preciosa para voltar a nós mesmos, e através desta época de “crepúsculo”, reconhecer a beleza da nossa noite interna.

Ainda há tempo para “dar à luz” de novo. Para nos reinventarmos. Nesta contração pode acontecer o que realmente vale a pena ser: uma expansão interior, um acender do coração, e que a Terra seja a casa e a fogueira.

Regressamos? SIM… de uma vez por todas, sem resistência, regressamos.
Se em cada expansão do coração não houvesse uma contração, a nossa vida não seria possível.
Se na matriz do caos, não se criar uma nova ordem, a evolução não seria possível.
Sem a certeza de um caminho de retorno a vida perde seu sentido. É necessário regressar aos caminhos percorridos, para encontrar em quais nos perdemos. Escutemos a voz da necessidade e reconheçamos que não há colheita sem semente.

Perdemos o contato com o essencial quando confundimos Ser e Ter, Viver e Consumir, Existir e Colher.
 Perdemos a Consciência da Essência quando convertemos a existência numa estratégia para crescer quantitativamente. 
Perdemos o curso quando nosso intelecto se afastou de nosso centro e assim sem coração nosso crescimento foi tão externo como perigoso.

A macro-economia ía muito bem, a aparência era fantástica, mas não havia suporte interior, e como castelo de naipes, um atras do outro foram e vão caindo com suas invulneráveis fortalezas. Porque não tinham coração.

O coração da Vida se expande e se contrai. 
As expansões indefinidas não são possíveis, pois a mesma vida se renova através da morte.
Em todo o caso, mais cedo ou mais tarde andamos para trás nos nossos próprios passos. Cada passo é uma pegada onde se semeia as nossas ações, para um dia voltar e receber o resultado do plantio.
E, o que é que nós temos semeado?
A ilusão da liberdade sem responsabilidade.
A ideia da exclusividade.
A ideia confusa de Ter para Ser, que nos tem levado à ilusão  de que a aparência é a Essência.

Nós plantamos, Não um Deus Universal de Amor, mas sim um pequeno Deus feito à imagem e semelhança dos nossos interesses mesquinhos.
Temos plantado a semente da competição, e temos perdido o compartir da colheita humana.
Temos plantado a semente da possessividade e perdemos a colheita da fraternidade.
Nós plantamos unicamente para saciar nossos sentidos e colhemos um “vazio de significado”.
Temos plantado a esperança em valores de ações de bolsa e desvalorizando as ações da nossa própria humanidade. Investimos em seguros de vida que só nos podem assegurar a morte.

O essencial não é o fruto das nossa ações, a verdadeira subtancia são as sementes, o essencial não é produzir, nem cozinhar, muito menos consumir. O essencial é uma semeadura verdadeira, que damos de todo o coração e que determina a qualidade das nossas colheitas, que no fundo é o grande jogo da nossa felicidade.
Uma cultura é um cultivo, e para cultivar a nova Terra, temos de cultivar nossa própria terra, a do nosso corpo, a nossa energia. 
Temos de cultivar a terra de nossas relações humanas, pois dela nasce toda a economia. 
Temos de cultivar a terra de todas as nossas religiões, para que todas sejam religiões de amor e o Amor seja a nossa verdadeira religião.

As águias por volta dos seus quarenta anos deixam de poder usar o seu bico e suas garras, ficam envelhecidos e retorcidos. O que fazem? Batem com o bico contra as rochas para o destruírem, depois submetem-se a um longo jejum, onde lhes nasce um novo bico e com ele arrancam todas as penas velhas e suas garras inúteis. Depois, esperam até ficarem renovadas para uma nova vida.
Será que não estamos a viver a época do recolher? A época de renovar o bico e as penas?
É hora de fazermos o voo da alma humana para contemplar a unidade do desígnio que fazemos parte. É hora de rever a economia, mas não só as relações entre governos e bancos, também nossa economia quotidiana, para aprender a renunciar, para saber perder sem nos perdermos, para eliminar em nós também a ilusão da expansão ilimitada.

Restauremos a economia, dando nova vida ás coisas simples e humildes.
Cultivemos no presente a confiança, para que no horizonte a vida se desenhe num novo amanhecer.
Quando a nossa vida voltar à humildade de ser quem somos, de certeza teremos mais tempo, seremos agricultores da nova terra e não simplesmente observadores.
 Não tenhamos medo.

Que Deus abençoe esta crise.
Que no sulco da nossa Terra ferida semeemos agora melhores sementes. As sementes da Tolerância e da Flexibilidade. As da Humildade e da Sensatez e sobretudo sementes de Autenticidade, para sermos o que somos de verdade, e que nossa economia, nossas relações e nossa vida não estejam jamais suportadas na mentira.”

Fonte: www.sintergeticanet.com

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