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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O que eu não preciso para ser feliz

imagem copiada net

Ao viajar pelo Ocidente, mantive contato com monges do Tibete, na Mongólia, no Japão e na China. Eram homens serenos, refletivos e em paz com os seus mantos de cor de açafrão.

No outro dia observava o movimento existente do aeroporto de San Pablo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam.
Seguramente já tinham tomado o pequeno-almoço em suas casas, mas a companhia aérea oferecia outro café e todos o tomavam vorazmente.

Aquilo me fez refletir: “ Qual dos modelos produz mais felicidade?”

Encontrei-me  no elevador com a Daniela que tem 10 anos e como era manhã perguntei-lhe: “ não fostes à escola?” Ela respondeu: “não, vou de tarde.”
Comentei: “que bom, então de manhã podes brincar, dormir até tarde.”
“Não” respondeu ela, “tenho muitas coisas a fazer de manhã”
“ Que coisas?” Perguntei-lhe.
“ Tenho aulas de inglês, de dança, de pintura e de natação” e começou a detalhar sua agenda de mocinha robotizada.
Pensei para mim: “que pena que Daniela não disse: “tenho aulas de meditação!”

Estamos a formar super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantis.

Uma cidade do interior de San Pablo tinha em 1960, seis livrarias e um ginásio; hoje tem sessenta ginásios e três livrarias!

Não tenho nada contra o melhoramento do corpo, mas preocupa-me a desproporção em relação ao melhoramento do espirito. Penso que vamos morrer esbeltos: “como está o defunto?”, “Oh! Uma maravilha, não tem celulite nenhuma!”

Mas como fica a questão do subjetivo? Do espiritual? Do amor?

Hoje, a palavra é “virtualidade”. Tudo é virtual.
Encerrado na sua casa em Brasília, um homem tem uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhum interesse por conhecer a sua vizinha do lado!
 Tudo é virtual.
 Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais e somos também eticamente virtuais…

Outra palavra de hoje é “entretenimento”; o domingo é o dia nacional da imbecialidade coletiva.
 Imbecil o condutor, imbecil quem perde uma tarde diante da televisão.

Como a publicidade não lucra a vender felicidade, cria a ilusão de que a felicidade é o resultado de um conjunto de prazeres: “ se você tomar esta bebida, usar estes sapatos, esta camisa, se comprar este carro, você será feliz!”
 O problema geral é que não se chega a ser feliz! Quem cede desenvolve de tal forma o desejo, que termina a necessitar de um psicólogo. Ou de medicamentos. Quem resiste aumenta a sua neurose.

O grande desafio é começar a ver o quão bom é ver-se livre de todo este condicionamento globalizante, neoliberal e consumista.
Assim, se pode viver melhor.
Para uma boa saúde mental são indispensáveis três requisitos: Amizade, auto-estima e ausência de stress.

Há uma logica religiosa no consumismo moderno.

Na idade media, as cidades adquiriam status se construíssem uma igreja, hoje se construírem um Shopping-Center.

É curioso, a maioria dos Shopping-Center têm linhas arquitetónicas de catedrais e a eles não se pode ir de qualquer modo, é necessário vestir roupa de missa de Domingo. Lá dentro se sente uma sensação paradisíaca: não há mendigos, nem crianças a correr, nem sujidade…
 Ouvem-se sons gregorianos modernos ou aquelas musiquitas de esperar dentistas.
Observam-se várias lojas, todas elas com objetos veneráveis, oferecidos por belas mulheres.
Quem pode comprar se sente no reino dos céus.
Quem compra com cartão de crédito, sente-se no purgatório.
Quem não pode comprar, certamente sente-se no inferno…

Felizmente, terminam todos numa eucaristia moderna, como irmãos numa mesma mesa, com o mesmo sumo e o mesmo hambúrguer de Mac Donald…

Costumo responder aos empregados que se aproximam para publicitarem os seus produtos: “ só estou a fazer um passeio Socrático.” Me olham espantados; explico: “ Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar sua cabeça no Centro Comercial de Atenas. Quando vendedores o assediavam, respondia-lhes:…” só estou a observar quantas coisas existem, mas que eu não preciso para ser feliz.”

Fonte: Fei Beto; traduzido e adaptado de Pensamento Consciente por Mundo Higeia

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