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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Viver com Menos

imagem retirada net
A crise tem imposto algumas restrições, que podem ser vistas como uma oportunidade para recuperar uma forma de viver mais simples e mais consciente.

Texto de Francesc Miralles
A crise económica tem varrido milhões de pessoas dos seus trabalhos, e aquelas que o mantém, têm sofrido ajustes de todo o tipo.
Depois de décadas de excessos, estamos perante um mundo empobrecido. Os bancos já não cedem empréstimos como dantes, e já não podemos “comprar coisas que não precisamos, só para impressionar os outros “nas palavras do economista e escritor Alex Rovira.

A boa notícia é que a situação atual permite-nos reformular o nosso modo de vida e muito especialmente a maneira de usarmos os nossos recursos.
A questão fundamental é: é possível viver melhor e com menos?

Os últimos conceitos em voga, que falam da Felicidade como estado interior, dizem que quando as necessidades básicas são atendidas, o bem-estar pessoal não aumenta com a prosperidade material.
Isto explica porque o povo do Bután, onde existe uma das rendas mais baixas do mundo ultrapassem em estado de satisfação, as pessoas dos países com maior renda.

O jornalista britânico, John Naish, publicou à três anos atrás um livro em Espanha com o nome: “Basta! Como deixar de desejar mais?”, Que reflete bem a nossa fixação no consumo:
“Ao longo da história da humanidade, temos sido capazes de sobreviver à fome, às doenças ou a catástrofes, graças as nosso instinto de desejar e buscar sempre mais coisas. Nossa mente está programada para ter medo da escassez e consumir o mais que possamos. Mas, sem duvida, hoje, graças á tecnologia temos todo o necessário para viver comodamente, e mais do que aquilo que vamos chegar a utilizar. Mas isto não pára o nosso desejo inato de ter mais.
Pelo contrário, nós nos tornamos viciados em trabalho, nos afogamos num mar de informações, comemos como nunca e continuamos numa busca constante pela “felicidade”.

Vicki Robin, um militante da vida simples nos EUA, propõe um principio para separar a agulha do palheiro: “ a primeira coisa a fazer é perceber o grau de satisfação que as coisas produzem em nós, para podermos distinguir uma ilusão passageira da verdadeira satisfação. Com esta forma cada um pode detetar as coisas que lhe proporcionam bem-estar e descobrir aquelas que pode prescindir, e assim alcançar pouco a pouco um novo equilíbrio de vida satisfatório.

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Após o colapso da economia de 1929 ou de 2008, muitas pessoas debaixo de um clima de austeridade, perceberam que muitas coisas que consideram essenciais, na verdade não tinham tanta importância.
Pensadores em todas as épocas têm falado nos benefícios de uma vida longe dos excessos e luxos. Desde do sec. IV a.c. que filósofos têm promulgado o desapego ao material, como exemplo podemos citar os chineses taoistas que praticavam uma vida simples e ao ritmo da natureza.

Henry David Thoreau, uma ativista norte-americano quis experimentar viver uma vida longe da civilização.
Em 1845, construiu uma cabana na floresta, onde passou dois anos, dois meses e dois dias. Durante esse tempo cultivou os seus alimentos, pensou e escreveu sobre o estado natural do homem e da sua escravidão à sociedade industrial.
Palavras suas: “eu fui para a floresta, porque queria viver deliberadamente, queria enfrentar todos os factos da existência e ver se podia aprender o que ela tinha a me ensinar. Queria viver profundamente e descartar tudo o que não fosse vida…para no momento da morte, não perceber que afinal não vivi…desejava extrair da vida todo o seu néctar.”

No momento presente, as pessoas que têm um empréstimo ao banco, uma família e filhos na cidade, não podem se permitir, abandonar tudo isto e ir viver para uma cabana como o exemplo acima, mas têm outras formas de viver a austeridade sem se privar do néctar da vida.

Devemos abandonar a “cultura do crédito” e tomar consciência das nossas necessidades reais, perceber que gastos são supérfluos e como não os fazer. Temos de tomar consciência de que quanto mais dinheiro necessitemos, mais tempo temos de trabalhar.

No tipo de vida que levamos, trocamos dinheiro por tempo, e tempo é a única coisa que não se repõe. Entregar horas, dias, anos de nossa vida a algo que não nos dá prazer, para pagar créditos, é uma forma de vida que tem que ser pensada. Há pessoas que trabalham tanto que não têm tempo para gastar o que ganham.
Tendo em conta que as melhores coisas da vida são grátis – amizade, o amor, a contemplação da natureza,… - devíamos prestar mais atenção à nossa escala de prioridades para colocar cada coisa no seu lugar.

Duane Elgin no seu livro, explica dez hábitos que se podem seguir para levar uma vida simples:
1)    Investir mais tempo e energia em catividades familiares, com a mulher, os filhos e amigos (caminhar, tocar musica juntos, compartilhar comida, acampar, …) ou atividades voluntarias de ajuda a outros.
2)    Empenhar em desenvolver todos os potenciais humanos: físico (desporto), emocional (aprendendo a expressar e a compartilhar sentimentos), mental (lendo livros, estudando,…), espiritual (cultivando uma mente calma e um coração compassivo).
3)    Aprender a sentir intimamente a Terra, reverenciar tudo da natureza, procurando sempre o bem-estar dela.
4)    Ter sentimentos de preocupação com os pobres do mundo, o que uma vida mais simples cria um sentimento de parentesco com os mais desfavorecidos.
5)    Diminuir o consumo próprio. Comprar roupa funcional, como roupa pratica e duradoura em vez de seguir marcas e modas, comprar menos joelharia (ninguém precisa de ouro ou prata), comprar menos cosméticos.
6)    Comprar coisas, como eletrodomésticos, mobílias, etc., resistentes, fáceis de reparar, e que sejam eficientes do ponto de vista energético.
7)    Abandonar os alimentos processados, como comidas pré-feitas, as carnes e o açúcar e preferir alimentos naturais, saudáveis e apropriados para os habitantes de um pequeno planeta.
8)    Reduzir a acumulação de coisas, como roupas, objetos, etc. que raramente são usadas. Podemos oferecer ou vender a outros que precisem.
9)    Apreciar a simplicidade nas formas não-verbais da comunicação: a grandeza do silêncio, o abraçar, o tocar, a linguagem dos olhos.
10)Usar práticas holísticas nos cuidados de saúde, que assentam nas capacidades curativas do corpo.

QUEM SÃO OS POBRES?
Não esquecendo os milhões de pessoas que sofrem com escassez de água, de alimentos e de cuidados de saúde, o primeiro mundo utiliza uma medida de comparação consumista para medir a pobreza. Do nosso ponto de vista, um camponês de Bután que vive com um euro ao dia seria considerado um pobre, mesmo que o seu país exiba um elevado índice de felicidade das pessoas.
Para o conceito de pobreza, há uma fábula de autor desconhecido que conta o seguinte:
O pai de uma família muito rica levou o seu filho a viajar a uma comunidade indígena com o propósito de lhe mostrar como vivem os pobres. Estiveram alguns dias e noites alojados numa quinta de uma família que se podia considerar muito pobre. Na volta da viagem, o pai pergunta a seu filho, o que achou da experiencia e se dou conta da dificuldade da vida do pobre, para assim poder valorizar melhor o que tinha em casa.
A criança respondeu que gostou muito da viagem e que agora já sabia como viviam os pobres. Quando seu pai pediu para especificar o que tinha aprendido, disse:
“ Nós temos um cão, e eles têm vários”
“Nós temos uma piscina que ocupa metade do jardim, eles têm um riacho onde a água nunca pára.
“Nós temos luzes no nosso jardim, eles tem as estrelas da noite”
“Nosso pátio é tão grande como o jardim, mas eles tem o horizonte inteiro”
“ Nós temos um pedaço de terra para viver, e eles tem campos que nossos olhos não alcançam”
“ Nós temos criados que nos ajudam, mas eles se ajudam entre si”
Nós compramos nossa comida, mas eles cultivam a sua.”
Nós temos muros ao redor da casa para nos proteger, mas eles tem amigos que os protegem”
O pai do menino ficou de boca aberta. Finalmente seu filho disse:
Obrigado pai, por me mostrar os pobres que somos”

Fonte:
URL: http://www.larevistaintegral.com/?p=7167

2 comentários:

  1. Obrigada Helena, pelo comentário...eu também gostei, por isso traduzi. Bjs

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