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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Pepinos, Porcos e Doenças

Ao pesquisar e tentar entender o que se passa com estas infecções da E.Coli, encontrei duas opiniões que entendi ser de real importância, decidi transcreve-las na íntegra. Está indicado a origem da informação, para quem quiser aprofundar mais.
Primeiro, é um artigo de Silvia Ribeiro, investigadora do grupo ETC, publicado no jornal mexicano La Jornada traduzido por Carlos Santos para esquerda.net, que diz o seguinte:
“O surgimento de uma nova variante letal da bactéria Escherichia coli (E. coli) em alimentos na Europa demonstra, novamente, o desastre sanitário em que nos meteu o sistema alimentar agro-industrial.
As bacterias E.coli são usadas e manipuladas de forma intensiva e extensiva pela indústria, o que está a favorecer a criação de novas estirpes continuamente.
Tratam-no como um acidente, mas na realidade é algo cada vez mais frequente, porque é uma consequência sistémica. Era de esperar, tal como o surgimento da gripe suína e da gripe das aves.
As autoridades sanitárias do governo alemão, onde primeiro se identificou a estirpe, acusaram os pepinos orgânicos espanhóis de serem os causadores da contaminação. Tiveram de rectificar a acusação, porque era falsa, mas já tinham provocado grandes perdas. Acusam também os tomates e a alface, especula-se com o leite, a carne e a água engarrafada. Segundo o Instituto Robert Koch da Alemanha, trata-se de uma variante desconhecida, produto de recombinação de outras, que deu a nova E. coli entero-hemorrágica O140:H4. No princípio suspeitavam da E. coli O157:H7, que foi encontrada na carne picada de grandes empresas como a Cargill e que em 2008 levou à retirada de 64 milhões de toneladas de carne dos Estados Unidos e milhares de pessoas afectadas.
Neste caso dizem não saber donde saiu nem quanto tempo vai durar, mas estendeu-se a vários países europeus e já causou 18 mortes e mais de 2.000 internamentos que podem ter consequências graves. Poder-se-ia juntar uma longa lista de acidentes graves do sistema alimentar industrial (carnes contaminadas, melamina, dioxinas, aditivos e embalagens de plástico tóxicos, adulterações). O certo é que graças à indústria agro-alimentar controlada por um vintena de transnacionais globais, a comida deixou de ser necessidade, prazer e cultura para se tornar numa permanente ameaça à saúde.
No caso das bactérias E. coli, das quais há muitas variantes diferentes, estas são usadas e manipuladas na forma intensiva e extensiva pela indústria, o que está a favorecer a criação de novas estirpes continuamente. Por exemplo, são um elemento importante na construção de transgénicos (agro-alimentares, farmacêuticos e veterinários), são o vector de fermentação da biologia sintética (manipulando com genes artificiais bactérias E. coli e leveduras, porque são rápidas e fáceis de usar), são o vector para fabricar hormonas transgénicas (hormona de crescimento bovino) para que as vacas produzam quantidades absurdas de leite que as põem doentes e nos provocam doenças. Na maioria dos casos, para testar se a modificação genética foi bem sucedida aplicam-lhes antibióticos, pelo que para além da transferência horizontal de material genético entre diferentes bactérias (que só por si os transgénicos promovem), aumentam também a resistência aos antibióticos.
Como as E. coli estão presentes por todo o lado mas aumentam em certas condições (armazenamento, transporte, temperaturas, etc.), nas grandes instalações são combatidas com bactericidas que promovem ainda mais mutação e resistência.
A presença de bactérias e vírus, normais ou por falta de higiene e outras condições, pode acontecer tanto nas pequenas produções locais, como nas grandes. Mas nas pequenas e descentralizadas, desde a criação animal às culturas, comércio e processamento de alimentos, fica focalizada ou diluída entre muitas outras fontes de diversidade animal e vegetal.
É justamente o carácter extensivo e uniforme das culturas e dos animais que os torna mais vulneráveis, enquanto os ataques contínuos com químicos criam maior resistência, juntamente com grandes transportes e diversos embalamentos que os grandes supermercados exigem, o que converge para criar as variantes mais perigosas. Já na espiral destrutiva, para controlar todo este desastre de doenças – quer as que são descobertas, quer as muitas sobre as quais não há estatísticas – aplicam mais químicos como conservantes, aplicam irradiação de alimentos e embalagens com nanotecnologia para que os alimentos pareçam frescos, ainda que sejam nocivos.
Assim como aconteceu com a gripe suína, não é verdade que as autoridades não saibam donde saiu a variante da bactéria. Inclusive, desde já, podemos dizer-lhes donde virão muitas das próximas bactérias e vírus patogénicos.
A verdadeira origem do desastre é o sistema agro-alimentar, que foi sequestrado pelas transnacionais, e que para ganharem mais, a nossa comida é transgénica, torna-nos obesos, tem menos nutrientes e está cheia de venenos, sejam químicos ou nano-tecnológicos. Tão brutal foi o sequestro dos mercados, que em lugar de advertir os que têm tóxicos, etiqueta-se – com elevado custo para produtores e consumidores – os produtos orgânicos que não têm tóxicos. E de passagem, afirmam que são a origem das variantes patogénicas.
Consequentemente, o controlo da segurança alimentar transformou-se numa máquina comercial que longe de favorecer a saúde pública e prevenir doenças, é um sistema selectivo de privilégios para as grandes empresas, para deslocar e impedir a produção e consumo de produtos camponeses, de pequenos produtores e de muitos países do Sul. (Recomendo a leitura do informe da Grain: Food safety for whom: corporate wealth vs. peoples’s health www.grain.org)
Apesar de tudo isto, 70 por cento do planeta ainda se alimenta da produção camponesa, comunitária e familiar. Para a saúde de todos e do planeta, é isso que temos de resgatar e apoiar, contra a voracidade homicida das transnacionais"
O segundo artigo, é de um médico a quem respeito e tenho a maior admiração pelo seu trabalho que é o Dr. Alberto P. Gonzalez
www.doutoralberto.com
Calúnia contra os alimentos crus
 
“O que ocorre na Alemanha é uma campanha vergonhosa contra os alimentos naturais, orgânicos e vivos. Toda acusação de hortaliças, pepinos e dos brotos de sementes germinadas é improcedente. Isto é um abuso. Todos os que conhecem microbiologia sabem  as cepas letais de Escherichia coli e bactérias em geral crescem em matéria desvitalizada - como lacticínios e carne.

Os alimentos vivos são aqueles que contam com o menor número de bactérias por grama (500 unidades), quando comparados a qualquer outro tipo de alimento.

Esta campanha visou desviar a atenção da opinião pública mundial do verdadeiro pivô da crise: a carne de porco. Neste momento, todas as mostras de carne infectada devem estar devidamente incineradas e enterradas. Uma verdadeira operação foi montada para evitar a real notícia, que levaria à quebra da indústria de carne de porco. Trata-se do alimento mais importante do país mais importante da comunidade europeia.

O governo alemão destina agora 200 milhões de euros  (346 milhões de reais) aos agricultores prejudicados, para acalmar os ânimos. Um preço barato, quando comparado ao prejuízo que ocorreria após a veiculação do verdadeiro culpado pelas mortes.

O governo alemão já afirma que "o real causador da doença poderá não ser identificado". Pedem para que acreditemos em Papai Noel! A Alemanha, com seus laboratórios altamente sofisticados e sistemas avançados de rastreamento sabe muito bem o causador da epidemia letal. Mas não pode veicular a verdade, o que levaria a uma crise sem precedentes e um efeito económico "dominó", na já combalida Europa.

E quem paga pelos efeitos morais e éticos? Um governo aparentemente sério como o da Alemanha aponta o dedo contra um tipo de alimento! Isso deixa marcas por dezenas de anos e mesmo até gerações. Se observarmos bem, já existe uma falsa ideia de que alimentos crus possam conduzir doenças.

A maioria das pessoas que ingere carne, leite e muitos alimentos deteriorados, todos eles "cozidos", pensa estar protegida. Mas pode haver até um bilhão de bactérias em um prato cozido que você come na rua. Ninguém traz isso à tona. Por milagre, e por eficiência dos sistemas imunes intestinais, sobrevivemos a estes ataques.

Mesma sorte não tiveram, aqueles que ingeriram hamburgueres da rede Burger King em Seattle, nos Estados Unidos. Foram 200 mortes causadas por E.Coli H 520. Mas as industrias se aproveitam da pouca memória e mesmo da falta de informação das pessoas.

Lançaram esta calúnia contra os alimentos crus. É como inocentar um assassino adulto e armado e jogar a culpa em uma criança que brinca no parque.

A falácia sobre alimentos crus vem da idade média, quando ratos caminhavam entre os alimentos e havia fezes nas ruas da Europa. Coisa dos tempos da cólera, da Inquisição.

É hora de virar a página. Estamos no século XXI. Segurança alimentar é alimento vegetal - cru, vivo, orgânico e natural. O resto é hipocrisia e interesses financeiros.”
 
Alberto P. Gonzalez, médico
http://www.doutoralberto.com/
Agora cabe a cada um de nós, pensar por si.
 

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